quinta-feira, 15 de março de 2007

A Bela e o Mestre!!!!!




Recuso-me determinantemente a ver este tipo de programas!!
Numa altura em que a mulher e o homem cada vez mais se aproximam, pela sua inteligência, educação e cultura, aparecem estas aberrações nas televisões, neste caso numa televisão portuguesa, à procura de audiências com programas do mais baixo que o ser humano pode e consegue imaginar.
Neste programa tipo Reality Show, a mulher, em todo o seu esplendor de beleza de corpo inteiro, em poses tipo Sharon Stone, mas revestida numa pele de BURRA, faz babar os basbaques que ainda assistem a estes reality show, que de boca aberta vão gozando com as pérolas que as meninas vai desfiando, (estou convencida serem ditas de propósito para darem mais credebilidade ao dito programa, o contrário é completamente inadmissível!), como é o caso de não saberem quem é Agustina Bessa Luís, Fidel Castro, ou Maria de Lourdes Pintassilgo, etc… etc… etc…!!
O homem por sua vez, o eterno sabedor de toda a verdade, portador de uma biblioteca portátil no cérebro, vai ensinando as burrinhas a saber história no seu estado mais simples, aquilo que qualquer criança em idade escolar deve saber.
Tenho acompanhado as conversas de café, os blogs, as criticas de vários comentadores e de gente que se sente ofendida no seu intelecto, sobre este assunto e o mesmo me ter chamado a atenção infelizmente pelo seu lado mais negativo:Expor a mulher ao ridículo.
Será que um dia a TVI terá capacidade para fazer um programa com alguma inteligência?

"Elas são bonitas, eles são inteligentes e o contrário não é verdade"

"Elas esculturais, hiper maquilhadas, de mini muito mini e decote muito decotado, em cintilações de festa, eles com óculos e borbulhas, baixotes e barrigudos ou altos e lingrinhas, de jeans e T-shirt. Elas sorriem, eles também. Elas, as "belas", entram no palco à vez, pela mão deles, com pisar de divas, e sentam-se sobre o tampo de uma secretária, o cruzar vertiginoso das pernas a arrancar olés da audiência. Eles, os "mestres", sentam-se atrás, na cadeira. A elas, as "belas", o apresentador pede para identificar o rosto no écrã gigante. Fidel Castro, Bocage, Maria de Lurdes Pintasilgo, Jose Luís Zapatero, Mikhail Gorbatchev passam sem que as concorrentes consigam articular-lhes o nome. A excepção surge com os Beatles e Vera, de 22 anos. "Então que está aqui a fazer?", pergunta o apresentador, entre gargalhadas. Vera sorri, embaraçada."Não quero usar o termo burra"O embaraço de Vera tem motivo: afinal, é suposto ela não saber nada de nada, não ser sequer capaz de reconhecer uma banda pop lendária. Como as "colegas" do concurso A Bela e o Mestre, que a TVI estreou no domingo, Vera foi escolhida pela sua aparência e juventude - e pela disponibilidade para passar nove semanas enfiada numa casa com perfeitos desconhecidos, a la Big Brother, na mira de partilhar um prémio de 100 mil euro com o seu "par", o homem que fará de seu "mestre"- mas sobretudo pela sua, digamos falta de informação". A palavra "burrice", como explica Piet Hein, director da Endemol, que adaptou a Portugal este formato da cadeia americana Fox, não é bem vinda. "Não quero usar esse termo. A ideia é que elas são bonitas. E eles são inteligentes. E o contrário não é verdade."Sobre o método de selecção dos concorrentes (que parece excluir à partida mulheres bonitas e inteligentes e homens inteligentes e bonitos) Hein prefere não falar. Como se recusa a aceitar a ideia de que o programa pode ser ofensivo por reafirmar preconceitos e estereótipos de género. "Procurámos pessoas com esse perfil, não tem nada de mal. É um programa de entretenimento, positivo, leve, para divertir, não para educar. Só pode ser considerado ofensivo para quem ache que em geral os homens e as mulheres são assim, para quem tenha esse preconceito.""É ao contrário da realidade"A socióloga Isabel Dias, professora da Universidade do Porto e autora de vários estudos relacionados com violência de género, não concorda. "O programa constitui um retrocesso no que diz respeito às conquistas que as mulheres fizeram, um regresso aos estereótipos mais básicos do género. A contradizer aliás o que sucede hoje na sociedade portuguesa, na qual os níveis de escolaridade nas mulheres são muito mais elevados que nos homens. Andaram à procura de uma agulha num palheiro para encontrar mulheres assim. Damos alguns passos em relação à educação para a paridade, e depois um miúdo vê isto... " Mas Piet Hein, para quem A Bela e o Mestre é "uma experiência social", vê tudo ao contrário. " Vai fazer o preconceito das crianças diminuir. Porque ao reforçar o contraste de uma forma tão vincada desconstrói os estereótipos.
" Uma leitura revolucionária, por absurdo, que a bióloga e escritora Clara Pinto Correia, um dos quatro membros do "júri" que avalia os concorrentes (e que inclui também a modelo Marisa Cruz, o escritor Rui Zink e o argumentista Carlos Quevedo) não subscreve. "Eu disse isso mesmo no programa. Não há pachorra para os estereótipos de que aquilo parte, nada mais imbecil que o esterótipo da mulher burra e bonita versus o homem feio e inteligente". Sobre a possibilidade de caucionar essa abordagem com a sua presença, a bióloga chuta para canto. "Devo dizer que não aceitei pelo que se ganha, que não é asim tanto que justifique o esforço de assistir ao espectáculo de ver gente que não sabe quem é o Fidel Castro. Coisa que aliás ainda me custa um pouco a crer. Mas sempre quis conhecer de perto um reality show, por motivos de enriquecimento sociológico e de pesquisa ficcional." Porque, precisamente, "puxa o pior que há na natureza humana".


9 comentários:

Luis Eme disse...

Não vi nem quero ver...

Soube do programa através da "blogosfera".

A TVI simboliza o melhor que se faz entre nós em termos de espectáculo rasteiro e mentiroso.

O que o dinheiro faz!

Daqui a uns anos estas garotas são capazes de não se orgulharem muito de se prestarem a estes "serviços", em nome da guerra das audiências.

Anónimo disse...

Ficas já a saber que me recuso a ver esse miserável acontecimento televisivo!!!
Chiça!

Bjs, Franky

Unknown disse...

Tb já ouvi falar "disso" mas recuso-me a ver tais "programas" até pq me irrita que pensem que os outros são "anormais" rsrsrsr
Jokas

Franky disse...

Mas o que é um facto é que se fala do programa nos cafés, na “Blogosfera”, nos jornais, nas revistas e as audiências de Domingo, dia da estreia do Programa a TVI ganhou!! Isto sim é preocupante!

Jon disse...

Mas tu não vês que estamos naquela fase em que por dinheiro faz-se tudo?

E ainda me hão-de explicar porque é que as meninas bonitas são assim.....fúteis e os jovens com QI xpto têm todos cara de atrasados mentais!?!...

Dina disse...

Não vi a estreia mas devido aos comentários que li entretanto em vários sítios fui espreitar a repetição.
Não vi tudo mas o que vi chegou para me convencer que existe uma enorme falta de respeito pela mulher por parte de quem aceitaum programa destes.
Não me choca que elas não saibam quem é Agustina Bessa Luís ou Fidel Castro porque infelizmente e para quem já contactou de perto com o ensino neste país, essas coisas são encaradas com alguma "naturalidade"
Se perguntarem à maior parte dos jovens quando se deu o 25 de Abril e em que consistiu vão ter grandes surpresas.
Basta olhar para os números que existem sobre iliteracia em Portugal, cerca de 48% da população portuguesa sofre deste problema. Não são analfabetos mas não entendem muitas vezes uma simples notícia de jornal. Mais de 50% são analfabetos funcionais...mesmo sabendo ler (mal) e escrever(ainda pior) sobretudo no que diz respeito a novas tecnologias.

Infelizmente é o país que temos mas daí a dividir em inteligentes eles e burras elas é que me parece grave...aliás parece-me muito grave e a merecer uma atitude firme de repúdio por parte da sociedade.
Claro que muita gente achará aquilo uma pérola...

Flávia disse...

o programa em si eu não comento. Agora tomar uma bica eu não prescindo!!! :)))ainda mais com tão boas companhias :)

Franky, parabéns e sucesso para o novo cantinho. a Ver se ganho coragem para revitalizar o meu.

Franky disse...

Mas não é não vendo que se resolve este problema! Terá de haver uma maior atenção por quem de direito ou quem sabe até do próprio Governo para verificar até que ponto estes programas estão ou não a informar os telespectadores.
Eu passo a explicar: O outro dia uma vizinha veio ter comigo muito aflita porque a filha de 7 anos lhe perguntou, depois de ter visto “Os Morangos com Açúcar”, às 17/18 horas da tarde, o que era uma “Ejaculação precoce”.
Segundo me explicou a dita vizinha, a novela tinha abordado esse tema durante uma cena em que dois jovens tinham relações sexuais pela primeira vez. Ele teve uma ejaculação precoce!! O problema era grave! Neste caso, o da minha vizinha, também ficou aflita, é que ela própria não sabia o que isso era! Daí não saber explicar à filha o problema do jovem da novela. Não podemos esquecer que a criança em causa tinha 7 anos e a novela tinha passado às 6 da tarde. Uma grande percentagem do povo português não sabe lidar com este palavreado e entendo que não é assim deste modo, pondo as pessoas em choque com os palavrões que qualquer Novela-pé-de-chinelo as vai informar. Porque as coisas são lançadas para o ar e depois cada um que as resolva. O Mesmo tema foi perguntado por outra jovem um pouco mais velhinha, 11 anos, que entrou aos berros pelo cabeleireiro da mãe, quando este se encontrava cheio de clientes, e fez a mesma pergunta!
Se querem explicar estes temas, pois que os tratem com a seriedade que o assunto merece.
E como explicar a uma criança até aos 12 anos de idade, o que é a morte! Segundo o psiquiatra Daniel Sampaio, uma criança com esta idade ainda não sabe assimilar e lidar com estes assuntos. Este é outro dos casos do dia. A novela Floribela. A morte em todo o seu potencial. A vida para lá da morte. O regresso dos mortos. O contacto com os que partiram. Inclusivamente as conversas dos que morreram com o próprio Deus!!(Mesmo que esse Deus seja interpretado pelo Paulo Pires). A morte passa a ser mais fácil para estas crianças, elas passam a saber erradamente que morrer não é assim tão mau, porque se morremos hoje amanhã estamos de volta e lá em cima há um jardim de algodão branco com meninos a brincar.
Recordo-me que à uns anos atrás, uma sobrinha da minha filha, se ter sentado na janela do 3 andar com as pernas para fora e cheia de confiança, porque mesmo que caísse nunca morria! -Os bonecos dos desenhos animados caem e nunca morrem, dizia ela!!
Por favor algo vai mal no mundo dos sonhos e da fantasia! Há limites!

Franky disse...

Obrigada Flávia pela tua visita, senta e toma um café!